Notícias

Papa destaca música sacra como parte da liturgia: “Cantar e tocar significa rezar”

Em catequese sobre a Sacrosanctum Concilium, Leão XIV afirmou que a música não é mero adorno das celebrações e pediu qualidade, simplicidade e fidelidade ao sentido da liturgia

A música sacra não deve ocupar na liturgia o lugar de simples acompanhamento ou elemento decorativo. Ela integra a própria ação litúrgica e, quando colocada verdadeiramente a serviço da celebração, torna-se também uma forma de oração. Foi o que destacou o Papa Leão XIV durante a audiência geral desta quarta-feira (19), na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Dando continuidade às catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, o Pontífice voltou sua atenção ao sexto capítulo da Constituição Sacrosanctum Concilium, dedicado à música sacra.

Leão XIV recordou que o documento conciliar considera a tradição musical da Igreja um patrimônio de valor inestimável. A razão está na estreita relação entre o canto, a Palavra e o mistério celebrado.

“A música faz parte da ação litúrgica e não é mero adorno da celebração”, afirmou.

Para o Papa, cantar ou tocar durante uma celebração significa rezar e colocar o próprio coração em sintonia com Deus e com toda a comunidade reunida. A música também alcança a dimensão afetiva da oração, ajudando o fiel a abrir-se à graça.

Nesse contexto, Leão XIV retomou uma conhecida expressão de Santo Agostinho: “Cantar é próprio de quem ama”.

Música a serviço da comunhão

Outro aspecto destacado pelo Pontífice foi a capacidade do canto litúrgico de expressar a unidade da Igreja. Quando diferentes vozes se unem em um mesmo louvor, as diferenças individuais não desaparecem, mas passam a fazer parte de uma mesma harmonia.

Por isso, segundo Leão XIV, o canto pode se tornar uma manifestação concreta da comunhão eclesial.

Essa compreensão também impõe critérios para a escolha das músicas utilizadas nas celebrações. O Papa advertiu que elas não devem ser determinadas simplesmente pelas preferências pessoais dos compositores ou pelas tendências de cada época.

A música precisa ser adequada ao momento da celebração, ter qualidade e, ao mesmo tempo, conservar simplicidade suficiente para permitir a participação da assembleia.

O mesmo cuidado deve existir com as letras. Leão XIV destacou que os textos precisam ser profundos, compreensíveis e inspirados principalmente na Sagrada Escritura, nos livros litúrgicos e na tradição espiritual da Igreja.

Participar também significa saber silenciar

Ao tratar da participação ativa dos fiéis, o Papa ressaltou que ela não significa necessariamente realizar alguma ação durante todos os momentos da celebração.

A Sacrosanctum Concilium, explicou, incentiva as aclamações, respostas, salmos, antífonas e cânticos da assembleia, mas também reserva um lugar importante ao silêncio sagrado.

Cada ministro e cada fiel deve exercer aquilo que lhe corresponde, respeitando a natureza da celebração. Dessa forma, canto, instrumentos, palavras e silêncio encontram seu lugar dentro de uma mesma ação litúrgica.

Leão XIV também destacou a importância da schola cantorum, o grupo responsável pelo serviço do canto, cuja missão não é substituir a assembleia, mas executar adequadamente as partes que lhe competem e favorecer a participação de todos.

Canto gregoriano e outras tradições musicais

Em sua catequese, o Papa recordou ainda o lugar especial que o Concílio Vaticano II atribui ao canto gregoriano. Isso, porém, não significa excluir outros gêneros de música sacra.

O órgão também recebeu atenção especial na Sacrosanctum Concilium, enquanto outros instrumentos podem ser utilizados desde que sejam apropriados ao culto, respeitem a dignidade do templo e contribuam para a edificação dos fiéis.

A diversidade cultural também deve ser considerada. Leão XIV ressaltou que as tradições musicais próprias dos diferentes povos podem encontrar espaço na vida litúrgica, desde que sejam adequadamente integradas à celebração e estejam a serviço da fé.

Formação para quem serve através da música

O Papa chamou atenção ainda para a responsabilidade dos compositores, músicos e cantores. Quem se dedica à música sacra precisa conhecer o patrimônio musical da Igreja e, a partir dele, também pode criar novas composições capazes de dialogar com a sensibilidade contemporânea e com as diferentes culturas.

Essa missão exige formação. Por isso, Leão XIV recordou a recomendação do Concílio para que o estudo e a prática da música sacra sejam promovidos nos seminários, casas de formação religiosa, institutos e escolas católicas, além de uma adequada preparação litúrgica para músicos e cantores.

Ao concluir a catequese, o Pontífice retomou uma imagem de Santo Inácio de Antioquia, que comparava os cristãos a um coro chamado a cantar em unidade por meio de Jesus Cristo.

Na saudação aos peregrinos de língua portuguesa, Leão XIV voltou ao pensamento de Santo Agostinho e deixou um convite: “Façamos do canto litúrgico uma expressão do nosso amor a Deus”.

A música e a liturgia também fazem parte da missão diária da Rádio Aliança, que há anos leva oração, formação e evangelização aos seus ouvintes. Quem deseja contribuir para que esse trabalho continue pode fazer parte do Clube Aliança, fortalecendo a missão deste Farol de Esperança. Acesse https://clube.alianca.fm.br

Com informações de Canção Nova e Vatican News