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Papa Leão XIV convoca consistório para “relançar” a missão evangelizadora da Igreja

Encontro de cardeais em junho aprofundará a Evangelii gaudium e a sinodalidade como instrumento de colaboração eclesial

Em carta dirigida aos membros do Colégio de Cardeais, datada de 12 de abril e tornada pública nesta quarta-feira, o Papa Leão XIV confirmou a realização de um consistório para os dias 26 e 27 de junho, reafirmando que esses encontros e as contribuições dos cardeais constituem “uma herança preciosa” para a Igreja. O anúncio chega após o primeiro consistório presidido pelo Santo Padre nos dias 7 e 8 de janeiro, ocasião em que os cardeais escolheram, por sugestão do próprio papa, dois dos quatro temas levantados por Leão XIV para centrar seu trabalho futuro.

Naquele primeiro encontro de janeiro, os cardeais descartaram a questão litúrgica — especificamente, o rito anterior ao Concílio Vaticano II — e o debate sobre as relações entre a Santa Sé e as conferências episcopais. Em seu lugar, optaram por aprofundar-se em duas temáticas fundamentais: a “missão da Igreja no mundo de hoje” e o “sínodo e a sinodalidade como instrumento e estilo de colaboração”. O Papa expressou sua satisfação com o processo: “Apreciei muito o trabalho realizado nos grupos, que permitiu uma troca livre, concreta e espiritualmente frutífera, assim como a qualidade das intervenções na assembleia”.

A exortação apostólica Evangelii gaudium — primeira do Papa Francisco, publicada em 24 de novembro de 2013 — emerge como texto de referência central para os trabalhos do consistório de junho. Esse documento, que se concentra em “proclamar o querigma”, ou transmitir “o Evangelho com Cristo no centro”, foi identificado pelos cardeais como elemento essencial nos debates sobre sinodalidade. Leão XIV reconhece que a Evangelii gaudium continua representando “um ponto de referência decisivo” para a Igreja, não porque introduz simplesmente novos conteúdos, mas porque “recentra tudo no querigma como coração da identidade cristã e eclesial”.

O Papa enfatiza que o valor da Evangelii gaudium reside em sua capacidade de “pôr em movimento processos de conversão pastoral e missionária, em vez de produzir reformas estruturais imediatas, guiando assim profundamente o caminho da Igreja”. Essa abordagem reflete uma visão que prioriza a transformação interior e o discernimento sobre mudanças administrativas precipitadas. Em nível pessoal, Leão XIV exorta todos os batizados a renovar seu encontro com Cristo, “passando de uma fé meramente recebida para uma fé verdadeiramente vivida e experimentada”. Esse processo afeta diretamente “a própria qualidade da vida espiritual, na primazia da oração, no testemunho que precede as palavras e na coerência entre fé e vida”.

No âmbito comunitário, o Papa incentiva a superação de uma “abordagem pastoral focada na preservação” para promover uma abordagem verdadeiramente “missionária”, na qual as comunidades cristãs se tornem agentes vivos de proclamação do Evangelho. Para isso, exorta a “comunidades acolhedoras, capazes de usar uma linguagem clara e compreensível, atentas à qualidade dos relacionamentos e aptas a oferecer espaços de escuta, acompanhamento e cura”. A nível diocesano, Leão XIV enfatiza a responsabilidade dos bispos e sacerdotes de apoiar resolutamente a “ousadia missionária”, impedindo que ela seja “impedida ou sufocada por excessos organizacionais” e promovendo o discernimento que ajuda a “reconhecer o que é essencial”.

A visão do Papa sobre a missão é profundamente cristocêntrica e integral, difundindo-se “por atração e não por conquista”, rejeitando tanto o proselitismo quanto uma lógica puramente institucional. “É uma missão abrangente, que une a proclamação explícita, o testemunho, o compromisso e o diálogo, sem ceder à tentação do proselitismo ou a uma lógica de mera preservação ou expansão institucional”, afirma Leão XIV. Mesmo reconhecendo-se como minoria em muitos contextos, a Igreja é chamada a viver “sem complexos”, como um pequeno rebanho “portador de esperança”, lembrando que o propósito de sua missão não é a sua própria sobrevivência, mas comunicar o amor com que Deus ama o mundo.

O Papa resumiu algumas das diretrizes que emergiram do consistório de janeiro, as quais devem ser “acolhidas e melhor consideradas”. Entre elas, destacam-se a necessidade de relançar a Evangelii gaudium “para examinar honestamente o que, ao longo dos anos, foi verdadeiramente acolhido e o que permanece desconhecido ou não aplicado”; a “necessária reforma dos itinerários da iniciação cristã”; a “valorização das visitas apostólicas e pastorais como autênticas ocasiões querigmáticas e oportunidades de crescimento na qualidade dos relacionamentos”; e a “exigência” de reconsiderar a eficácia da comunicação eclesial — também ao nível da Santa Sé — “numa chave mais claramente missionária”. O consistório de junho será, portanto, um momento crucial para aprofundar essas reflexões e traçar caminhos concretos para uma Igreja verdadeiramente missionária e sinodal.

A Rádio Aliança compreende profundamente essa missão evangelizadora que o Papa Leão XIV reafirma: ser um instrumento de proclamação do Evangelho, acolhimento e esperança. Você também pode fazer parte dessa grande missão de levar a Palavra de Deus a todos os corações. Torne-se um Membro do Clube Aliança e nos ajude a continuar sendo um Farol de Esperança, transmitindo ao ar mensagens de fé, conversão pastoral e esperança para um mundo que clama por luz. Saiba mais em: clube.alianca.fm.br

Com informações de ACI Digital