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Leão XIV: transformar o mundo exige viver o Evangelho sem diminuir suas exigências

Na audiência geral, Papa falou sobre a presença dos cristãos na sociedade e destacou que fé, compromisso com o bem comum e vida cotidiana não podem estar separados

Como anunciar o Evangelho em uma sociedade que passa por rápidas transformações sem simplesmente adaptar a mensagem cristã ao pensamento de cada época? O Papa Leão XIV colocou essa questão no centro da audiência geral desta quarta-feira (7), na Praça São Pedro, ao retomar suas catequeses sobre o Concílio Vaticano II.

Depois de dedicar o encontro da semana passada à recente viagem apostólica à França, o Pontífice voltou à Constituição Pastoral Gaudium et spes, desta vez refletindo sobre a missão da Igreja no mundo contemporâneo.

Leão XIV defendeu uma presença cristã capaz de reconhecer aquilo que existe de bom nas culturas e na sociedade, mas que conserve a Palavra de Deus e a Tradição da Igreja como referências para esse discernimento.

Para o Papa, dialogar com o mundo não significa tornar a fé menos exigente para que ela seja mais facilmente aceita.

“Não é certamente diluindo os conteúdos e suavizando as exigências que se pode tornar o cristianismo atraente”, afirmou, retomando uma reflexão apresentada por ele em maio.

Cristãos não estão fora do mundo

Ao abordar a Gaudium et spes, Leão XIV recordou que a Igreja não observa a sociedade a partir de fora. Os cristãos fazem parte da história, das culturas e das realidades concretas de cada tempo.

É justamente nesse ambiente que os batizados são chamados a testemunhar a fé.

Essa responsabilidade ganha uma dimensão particular na vocação dos leigos, presentes diariamente na família, no trabalho e nos diferentes espaços da sociedade. O Concílio Vaticano II, recordou o Papa, ajudou a fortalecer a consciência de que a missão evangelizadora não pertence somente ao clero ou aos religiosos, mas a todo o Povo de Deus.

Por isso, olhar para o mundo de maneira positiva não significa ignorar aquilo que precisa ser transformado.

Para Leão XIV, a fé em Cristo é incompatível com a indiferença diante da injustiça. Quem reconhece Jesus como Senhor não pode aceitar a opressão dos pobres e dos mais vulneráveis nem estruturas que mantenham pessoas em situações de dependência e injustiça.

É nesse campo que a Doutrina Social da Igreja oferece princípios para a atuação dos cristãos e para a colaboração com todas as pessoas de boa vontade na construção do bem comum.

A missão da Igreja não é conquistar poder político

Essa participação na transformação da sociedade, porém, não deve ser confundida com uma finalidade político-partidária da Igreja.

Leão XIV ressaltou que a missão eclesial também contribui para a construção da sociedade, mas seus objetivos e métodos não são, em primeiro lugar, políticos.

A contribuição cristã acontece pelo testemunho da fé e da caridade e pelo compromisso com a justiça, a paz e a fraternidade.

Dessa forma, o cristão não é chamado a se afastar dos problemas concretos do mundo, mas também não pode reduzir o Evangelho a um projeto político ou social.

Quando a fé não chega à vida

Outro alerta do Papa foi dirigido à maneira como cada cristão vive aquilo que professa.

Leão XIV retomou uma afirmação dos Padres do Concílio segundo a qual a separação entre a fé professada e a vida cotidiana está entre os “mais graves erros do nosso tempo”.

Evangelizar, portanto, não depende apenas daquilo que se diz. Para o Papa, cada batizado precisa cooperar com a ação do Espírito Santo para que sua fé se torne visível também nas escolhas, relacionamentos e atitudes de todos os dias.

Essa coerência torna-se ainda mais necessária diante de uma sociedade marcada, segundo Leão XIV, pela busca do lucro a qualquer preço, pelo consumismo e pela manipulação da informação.

Em meio a essas pressões, a Igreja continua tendo como primeira missão ajudar o ser humano a não perder de vista as perguntas fundamentais sobre a própria existência: de onde vem, para onde caminha e qual o sentido do amor, da dor e da própria vida.

“O nosso coração foi feito para olhar para o alto”, afirmou o Pontífice.

Nossa Senhora como refúgio nas dificuldades

No encerramento da audiência, Leão XIV também recordou que nesta quarta-feira a Igreja celebra a memória de Nossa Senhora do Rosário.

Ao saudar os peregrinos, o Papa apresentou Maria como “refúgio seguro em meio às dificuldades da vida” e incentivou a oração do Rosário, uma das devoções mais antigas e queridas da tradição católica.

A catequese desta quarta-feira deixa, assim, um chamado que vai além das palavras: estar verdadeiramente presente no mundo, reconhecer seus desafios e trabalhar para transformá-lo, sem perder a identidade que nasce do encontro com Cristo. Uma missão que também inspira a Rádio Aliança a anunciar o Evangelho e oferecer formação cristã diariamente. O apoio dos integrantes do Clube Aliança torna possível continuar levando este Farol de Esperança cada vez mais longe.

Com informações de ACI Digital