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Leão XIV: a fé cristã deve dialogar com a cultura sem perder sua identidade

Na audiência geral, Papa destacou a importância da formação intelectual e do diálogo com a sociedade, lembrando que o Evangelho pode alcançar diferentes culturas sem se limitar a nenhuma delas

A fé cristã não deve ser vivida como uma oposição permanente ao mundo, mas como uma presença capaz de dialogar com a sociedade e contribuir para seu desenvolvimento. Foi essa a reflexão apresentada pelo Papa Leão XIV na audiência geral desta quarta-feira (28), na Praça São Pedro, no Vaticano.

Dando continuidade às catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, o Pontífice voltou sua atenção para a relação entre fé e cultura, abordada na Constituição Pastoral Gaudium et spes.

Para Leão XIV, os cristãos precisam conhecer a realidade em que vivem, compreender as transformações culturais e reconhecer aquilo que existe de verdadeiro e positivo nas diferentes expressões humanas. Essa abertura, porém, não significa abandonar os ensinamentos da Igreja ou reduzir a fé às ideias predominantes de cada época.

“A Constituição Gaudium et spes exorta-nos a não viver a fé em espírito de oposição ou de hostilidade em relação ao mundo, à cultura e às suas expressões humanas”, afirmou.

Conhecer o mundo também faz parte da missão cristã

Um dos pontos destacados pelo Papa foi a necessidade de uma formação que acompanhe o crescimento humano e espiritual dos fiéis.

Leão XIV lembrou que conhecer os ensinamentos da Igreja não dispensa ninguém de aprofundar seus conhecimentos em outras áreas. Pelo contrário, o desenvolvimento intelectual e cultural deve caminhar junto com o amadurecimento da fé.

O Pontífice observou que os cristãos, mesmo encontrando na Revelação respostas para as grandes questões da existência, continuam chamados a estudar, refletir e compreender a realidade.

Essa preocupação, recordou, sempre esteve presente na missão educativa da Igreja, que ao longo dos séculos criou escolas e instituições de ensino em diferentes partes do mundo.

A proposta é que os conhecimentos adquiridos não permaneçam separados uns dos outros. Fé, ciência, pensamento e cultura podem contribuir para uma compreensão mais ampla da pessoa humana e de sua existência.

O Evangelho pode alcançar todas as culturas

Ao aprofundar a reflexão, Leão XIV explicou que a relação entre fé e cultura encontra seu fundamento na própria Encarnação de Jesus Cristo.

O cristianismo não é uma realidade distante da vida humana. A fé é vivida em meio às relações, aos costumes, à linguagem e às tradições de cada povo.

Por isso, anunciar o Evangelho também exige conhecer o ambiente cultural das pessoas às quais a mensagem cristã é dirigida.

O Papa recordou que a fé não pertence exclusivamente a uma cultura ou civilização. Ela pode ser acolhida e vivida por diferentes povos, encontrando em suas expressões culturais elementos que favoreçam o encontro com Cristo.

A Igreja, explicou, procura reconhecer em cada cultura aquilo que existe de bom, belo e verdadeiro, sem deixar de transmitir a integridade da mensagem evangélica.

Nesse contexto, Leão XIV recuperou uma conhecida reflexão de São João Paulo II:

“Uma fé que não se torna cultura é uma fé não acolhida de modo pleno, não inteiramente pensada nem vivida com fidelidade.”

A afirmação recorda que a experiência cristã não deve ficar restrita às celebrações ou aos momentos de oração, mas alcançar também a maneira como as pessoas pensam, criam, trabalham e participam da sociedade.

Educação e acesso à cultura

A catequese também abordou a responsabilidade social relacionada à educação.

Leão XIV destacou que a Gaudium et spes incentiva a comunidade internacional a trabalhar para que todas as pessoas tenham acesso aos bens culturais fundamentais, especialmente por meio do combate ao analfabetismo e à falta de instrução.

O Papa também chamou atenção para a importância de reconhecer e promover a participação das mulheres na vida cultural.

Essas preocupações fazem parte de uma visão cristã que reconhece o valor do conhecimento e da formação para o desenvolvimento integral da pessoa humana.

Para Leão XIV, o diálogo entre fé e cultura torna o testemunho cristão mais compreensível e próximo das pessoas, permitindo que o Evangelho seja anunciado de maneira adequada às diferentes realidades, sem perder sua essência.

A santidade vivida no cotidiano

Ao final da audiência, durante a saudação aos peregrinos de língua italiana, o Papa recordou a proximidade da Solenidade de Todos os Santos, celebrada pela Igreja no dia 1º de novembro.

Leão XIV convidou os fiéis a contemplarem o testemunho daqueles que alcançaram a santidade e que apontam para a esperança da vida eterna.

O Pontífice ressaltou que essa esperança não está desligada da existência presente. A caminhada rumo à santidade começa nas escolhas e atitudes de cada dia, quando o Evangelho é colocado em prática.

A reflexão desta quarta-feira recorda, portanto, que a fé cristã não precisa se afastar da cultura para permanecer fiel à sua identidade. Ao contrário, é justamente na realidade concreta de cada tempo que os cristãos são chamados a testemunhar Cristo.

Essa missão de aproximar a mensagem do Evangelho da vida das pessoas também está presente no trabalho da Rádio Aliança, que procura unir evangelização, formação e comunicação. Com o apoio dos membros do Clube Aliança, a emissora continua levando aos ouvintes uma programação comprometida com a fé e os valores cristãos, mantendo aceso seu Farol de Esperança.

Com informações de ACI Digital e Vatican News