Leão XIV cita Bob Dylan e alerta para os riscos de uma nova corrida armamentista
Em texto publicado pela Livraria Editora Vaticana, o Papa defende o desarmamento nuclear, critica o uso militar da tecnologia e pede que cada pessoa faça da paz uma causa de vida

Uma canção composta por Bob Dylan na década de 1960 tornou-se o ponto de partida para uma nova reflexão do Papa Leão XIV sobre os perigos das armas nucleares. Ao citar versos dirigidos simbolicamente à bomba atômica, o Pontífice recorda que os instrumentos de destruição não surgem por conta própria: são criados, controlados e utilizados por seres humanos.
A referência aparece na introdução inédita do livro Desarmada e Desarmante: A Paz é uma Dádiva, lançado nesta terça-feira (21) pela Livraria Editora Vaticana. A obra reúne pronunciamentos de Leão XIV sobre a paz desde o início de seu pontificado, em maio de 2025.
No texto, o Papa descreve a paz como um dos maiores desejos da humanidade, mas reconhece que ela continua sendo ameaçada e desrespeitada em diferentes regiões. Segundo dados citados pelo Pontífice, mais de uma centena de países estão envolvidos, direta ou indiretamente, em conflitos armados.
Leão XIV menciona as guerras na Ucrânia, no Oriente Médio, no Sudão, em Mianmar, no Iêmen e na República Democrática do Congo como exemplos de uma violência que continua provocando mortes, deslocamentos e sofrimento entre as populações civis.
Diante desse cenário, o Papa questiona a ideia de que a segurança possa ser garantida pelo acúmulo de armas. Para ele, a experiência da era nuclear demonstra justamente o contrário: a paz não nasce do medo da destruição, mas de um compromisso real com o desarmamento.
O Pontífice lamenta que, depois de décadas marcadas por tentativas de redução dos arsenais nucleares, o mundo volte a assistir a uma corrida armamentista capaz de provocar medo e instabilidade. Esse processo, segundo ele, torna-se ainda mais perigoso quando associado à expansão da Inteligência Artificial, dos sistemas autônomos e das tecnologias de controle digital.
Leão XIV também alerta para o risco de decisões sobre ataques militares serem entregues a máquinas. Para ilustrar a importância da consciência humana, recorda o episódio protagonizado pelo oficial soviético Stanislav Petrov, em setembro de 1983.
Na ocasião, o sistema de defesa da União Soviética indicou equivocadamente que mísseis norte-americanos estavam a caminho do país. Em vez de comunicar imediatamente o suposto ataque e provocar uma possível resposta nuclear, Petrov concluiu que se tratava de um erro. Sua decisão ajudou a impedir uma escalada que poderia ter causado milhões de mortes.
Para o Papa, o episódio demonstra que a consciência de uma única pessoa pode ter um valor imenso. Um mundo no qual sistemas automatizados decidissem bombardear populações, sem reflexão moral ou responsabilidade humana, representaria um cenário verdadeiramente aterrador.
Além das grandes decisões políticas, Leão XIV destaca o testemunho de pessoas que construíram a paz por meio de escolhas pessoais. Entre elas está o jovem congolês Floribert Bwana Chui, assassinado em 2007 depois de se recusar a aceitar um suborno para permitir a entrada de alimentos estragados em Goma. Beatificado em 2025, ele é apresentado como exemplo de fidelidade à consciência e defesa dos mais vulneráveis.
O texto também recorda os servos de Deus Giorgio La Pira e Dorothy Day, conhecidos pelo compromisso com a justiça social, a diplomacia, o cuidado com os pobres e a promoção de caminhos não violentos.
Mesmo diante de tantas guerras, o Papa pede que os cristãos não se deixem dominar pelo desânimo. Para Leão XIV, o anúncio de Jesus oferece ao mundo uma esperança capaz de vencer a lógica do isolamento, da violência e da morte.
Essa esperança, porém, precisa transformar-se em atitudes concretas. O Pontífice convida os fiéis e todas as pessoas de boa vontade a se tornarem construtores da paz, rejeitando a indiferença e assumindo a não violência como caminho pessoal e coletivo.
Ao encerrar sua reflexão, Leão XIV pede que ninguém se acomode diante dos desafios do presente e que cada pessoa faça da paz uma causa de sua própria vida. A Rádio Aliança também procura contribuir com essa missão, anunciando o Evangelho e promovendo uma cultura de fraternidade, esperança e respeito à vida. Para ajudar a manter aceso este Farol de Esperança, faça parte do Clube Aliança: https://clube.alianca.fm.br
Com informações de ACI Digital