Leão XIV vê “renascimento” da fé na França como sinal de esperança para toda a Igreja
Ao recordar sua recente viagem apostólica, Papa destacou o crescimento do número de jovens e adultos que buscam o Batismo, a reconstrução de Notre-Dame e os encontros vividos em Paris, Lourdes e Metz
Poucos dias depois de concluir sua viagem apostólica à França, o Papa Leão XIV dedicou a audiência geral desta quarta-feira (30) a recordar alguns dos momentos que mais o marcaram durante a passagem pelo país. Para o Pontífice, os sinais de renovação encontrados entre os católicos franceses representam uma esperança que ultrapassa as fronteiras da França e alcança toda a Igreja.
A visita aconteceu entre os dias 25 e 28 de setembro e teve como tema “Para que o mundo tenha vida”. Durante quatro dias, Leão XIV passou por Paris, Lourdes e Metz, encontrando autoridades, jovens, peregrinos, pessoas em situação de vulnerabilidade e representantes de diferentes tradições religiosas.
Ao falar aos peregrinos reunidos na Praça São Pedro, o Papa disse conservar impressões “ainda tão vivas” da viagem e agradeceu tanto aos responsáveis pela organização quanto às multidões que foram encontrá-lo ou simplesmente saudá-lo pelas ruas.
Notre-Dame como imagem de um renascimento
Entre os símbolos escolhidos por Leão XIV para resumir sua passagem pela França está a Catedral de Notre-Dame de Paris.
O Papa recordou que, há apenas sete anos, a igreja parecia “mortalmente ferida” pelo incêndio que destruiu parte do edifício. Reconstruída, Notre-Dame recebeu o Pontífice para a celebração das Vésperas em honra à Virgem Maria.
Mais do que a recuperação de um patrimônio histórico e religioso, Leão XIV enxergou na reconstrução um exemplo de como diferentes setores podem unir esforços por um objetivo comum.
Para o Papa, a colaboração entre Igreja, Estado, instituições públicas e sociedade civil demonstrada na recuperação da catedral pode inspirar outras iniciativas voltadas ao bem comum. Essa cooperação, ressaltou, deve ter como fundamento a dignidade da pessoa humana.
A Igreja que se reconstrói nas pessoas
Leão XIV relacionou a restauração de Notre-Dame a outro fenômeno que encontrou na França: o crescimento do número de jovens e adultos que procuram a Igreja para receber o Batismo.
O Pontífice definiu essa realidade como uma bela “surpresa de Deus” e destacou a importância de acompanhar e incentivar catecúmenos e aqueles que receberam recentemente os sacramentos da iniciação cristã.
Para o Papa, porém, a verdadeira reconstrução da Igreja não acontece nos edifícios.
Ao recordar a vigília com milhares de jovens no Stade de France e as celebrações realizadas em Paris, Leão XIV afirmou que a Igreja é formada por pessoas que amam Jesus Cristo porque primeiro foram amadas por Ele.
Essa experiência tornou-se particularmente visível durante a Missa celebrada na Place de la Concorde. A multidão ocupou a praça e se estendeu pela Avenue des Champs-Élysées, em direção ao Arco do Triunfo.
“Eis a verdadeira reconstrução, a restauração da Igreja que só Deus pode realizar, por intercessão da Virgem Maria”, afirmou.
O Papa também recordou sua passagem pela Maison Bakhita, instituição que acolhe pessoas em situação de necessidade, destacando o serviço cotidiano em defesa da dignidade humana.
Lourdes e a dignidade de cada vida
Depois de Paris, a viagem prosseguiu até Lourdes. No Santuário mariano, Leão XIV voltou sua atenção especialmente aos doentes e às pessoas que enfrentam sofrimentos físicos e espirituais.
Segundo o Papa, Lourdes recorda ao mundo que a dignidade humana permanece inviolável mesmo diante das situações de maior fragilidade.
“Toda a vida humana, em qualquer condição — mesmo na de mais extrema fragilidade —, conserva a sua dignidade inviolável e merece ser cuidada, acompanhada e aliviada do sofrimento com compaixão humana e o auxílio de meios oferecidos pela ciência”, afirmou.
Por isso, Leão XIV definiu Lourdes como um “santuário da civilização do amor”.
Durante a passagem pelo local, o Pontífice também se encontrou com pessoas que sofreram abusos. Na audiência desta quarta-feira, reafirmou o compromisso de ouvi-las, reconhecer a dor causada e trabalhar pela prevenção de novos casos.
De uma Europa marcada pela guerra a um projeto de paz
A última etapa da viagem levou Leão XIV a Metz, região profundamente marcada pelas consequências da Segunda Guerra Mundial e ligada à trajetória de Robert Schuman, um dos nomes centrais do processo de integração europeia.
Foi nesse contexto que o Papa retomou a imagem da reconstrução.
Assim como Notre-Dame conseguiu renascer depois do incêndio, Leão XIV recordou que a Europa precisou se reconstruir depois da devastação provocada pela guerra. Desse processo nasceu um projeto baseado na democracia, na solidariedade e na fraternidade entre os povos.
O Pontífice destacou a contribuição das raízes cristãs para esses princípios e defendeu que, diante dos desafios atuais de um mundo cada vez mais globalizado, o diálogo entre as religiões também desempenha um papel importante na construção da paz.
Em Metz, representantes de diferentes tradições religiosas assinaram o chamado “Apelo de Metz” pela paz.
Ao reunir as experiências de Paris, Lourdes e Metz, Leão XIV apresentou sua passagem pela França como uma viagem marcada por diferentes formas de renascimento: de uma catedral reconstruída, de pessoas que descobrem a fé, da esperança oferecida aos que sofrem e da busca pela paz entre povos e religiões.
Para o Papa, esses sinais mostram que a renovação da Igreja acontece quando a fé se transforma em encontro, comunhão e serviço. Uma missão que a Rádio Aliança procura compartilhar diariamente através da evangelização e da formação de seus ouvintes. Quem participa do Clube Aliança torna possível a continuidade desse trabalho e ajuda a manter aceso este Farol de Esperança.
Com informações de Vatican News