O Papa Leão XIV visita a terra de Santo Agostinho e traz bênção à Argélia
Primeira visita de um Papa à Argélia marca encontro histórico com a espiritualidade agostiniana em Annaba

“Eu sou o filho de Agostinho.” Essas palavras, proferidas pelo Papa Leão XIV no dia de sua eleição como Sumo Pontífice, ecoaram com força especial quando o pontífice pisou pela primeira vez em solo argelino. Nesta terça-feira, 14 de abril de 2026, a cidade de Annaba, grande metrópole costeira com mais de 300 mil habitantes no leste da Argélia, testemunhou um momento histórico: a primeira visita de um Papa à nação argelina. As ruas do centro da cidade estavam adornadas com as bandeiras brancas e amarelas do Vaticano tremulando ao lado das cores verdes e brancas da Argélia, enquanto guardas a cavalo e um significativo esquema de segurança marcavam a importância do evento.
A recepção foi calorosa, mas a natureza tinha seus próprios planos. Desde a chegada do Papa a Argel no dia anterior, uma chuva torrencial castigava a região — clima severo que acompanharia toda a jornada do pontífice americano. Mas para os argelinos, a chuva não era um incômodo; era uma bênção. “Aqui, como raramente chove, a chuva é uma bênção para a terra e as plantações. Quando chove, temos uma expressão: ‘Jab el khir’ – ‘Deus trouxe a bênção'”, explicou o Padre José Maria Cantal Rivas, missionário espanhol que acompanhava a visita. Com um toque de humor, o sacerdote acrescentou que alguns argelinos já brincavam em chamar o Papa de “Leon Jab el Khir” — Leão, que traz bênçãos aonde quer que vá.
A chuva torrencial, porém, obrigou o Papa a adaptar seus planos. Sua visita ao sítio arqueológico de Hipona, a vasta área construída sobre as ruínas da antiga cidade onde Santo Agostinho foi bispo, teve que ser encurtada. O pontífice não pôde passear pelas ruínas romanas como previsto, mas parou na entrada do local, onde depositou uma coroa de flores no gramado encharcado. Nuvens cinzentas, capas de chuva pingando, um coral amontoado sob uma tenda com a lona amassada pelas rajadas de vento e poças de água pantanosas — a paisagem era desafiadora. Mas o que permanecerá na memória de todos foi o momento em que o Papa, cercado por escoteiros muçulmanos, plantou juntos uma jovem oliveira, ambos dando pás de terra em gesto de comunhão e esperança.
Aquele instante particular, quando todos recuaram gentilmente para permitir que Leão rezasse, revelou a profundidade espiritual da visita. O “filho de Santo Agostinho”, com as mãos juntas, observou um momento de profundo silêncio, os olhos baixos, visivelmente comovido e pensativo, voltado para aquela terra onde seu mestre espiritual caminhara 1.600 anos antes. Naqueles dez minutos no sítio arqueológico, o Papa não apenas visitava ruínas históricas; ele dialogava com a própria história da fé e da espiritualidade cristã.
Horas depois, na Basílica de Santo Agostinho, onde ressoavam hinos festivos, o Papa Leão XIV celebrou a única missa de sua visita à Argélia. O edifício, que havia sido reformado e reinaugurado em 2013, era conhecido pelo pontífice através de Robert Prevost, então Prior de sua ordem, que havia participado daquela inauguração. Foi ali que o Bispo Michel Guillaud de Constantino saudou o Papa com palavras que tocaram profundamente: “Todos acabaram por compreender que Agostinho era como um irmão mais velho para vocês em sua jornada de fé”. Na homilia em francês, o Papa confiou aos cristãos a “regra fundamental da caridade”, inclusive “diante da pobreza e da opressão”, mensagem que ecoou como um chamado à ação concreta no mundo.
A visita do Bispo de Roma seguindo os passos de Santo Agostinho foi uma experiência marcante para toda a Argélia. “Durante muito tempo, Agostinho foi apresentado como um precursor do colonialismo… mas com esta viagem, os argelinos entendem que ele é uma figura muito importante para muitos”, observou o Padre José Maria Cantal Rivas. Ele expressou a esperança de que esta visita histórica levasse a “uma maior confiança nos cristãos entre todos os argelinos”. E quando o Papa partiu, ao final de sua visita de sete horas, o sol rompia novamente as nuvens, como um presságio de esperança e renovação. A chuva que havia acompanhado sua chegada — aquela “bênção” que os argelinos celebravam — havia cumprido seu papel, deixando a terra fecunda e o coração dos fiéis renovado.
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Com informações de Aleteia