Papa alerta universitários contra cultura da ansiedade e da desumanização
Em visita à Universidade La Sapienza, Leão XIV criticou a lógica que reduz as pessoas a números e fez um forte apelo em favor da paz
O Papa Leão XIV visitou nesta quinta-feira (14) a Universidade La Sapienza, em Roma, considerada a maior universidade pública da Europa. Diante de estudantes, professores e autoridades acadêmicas, o Pontífice refletiu sobre os desafios enfrentados pelas novas gerações e denunciou aquilo que chamou de “mentira generalizada” de uma sociedade baseada apenas em desempenho, competição e produtividade.
Na aula magna da instituição, o Papa falou sobre o crescente sofrimento emocional vivido por muitos jovens universitários. Segundo ele, a pressão por resultados e o modelo social centrado em performance têm alimentado ansiedade, insegurança e sensação de vazio.
“Somos um desejo, não um algoritmo”, afirmou Leão XIV, em uma das frases mais marcantes do encontro. Para o Pontífice, o ser humano não pode ser reduzido a estatísticas, números ou metas de eficiência, porque sua dignidade nasce de algo muito mais profundo.
O Santo Padre criticou uma cultura que transforma relações humanas em disputas permanentes e que acaba deixando muitas pessoas presas a ciclos de cobrança e frustração. Ele recordou que todos atravessam momentos difíceis, mas alertou que, para muitos jovens, a pressão atual faz parecer que essas crises nunca terão fim.
Ao longo do discurso, Leão XIV ampliou a reflexão para o cenário internacional, afirmando que o mundo vive uma deformação das relações humanas causada pela lógica da guerra e pelo enfraquecimento do diálogo. Segundo ele, essa mentalidade acaba contaminando também a convivência social e acadêmica.
O Papa incentivou as universidades a se tornarem espaços de pensamento profundo, capazes de resistir às simplificações ideológicas e à criação de inimigos. Para ele, a busca sincera pela verdade exige memória, discernimento e abertura à complexidade da realidade.
Em outro momento forte da fala, o Pontífice criticou o aumento global dos investimentos militares, especialmente na Europa. Segundo Leão XIV, o rearmamento não pode ser apresentado como solução para os conflitos, sobretudo quando compromete recursos destinados à educação, à saúde e ao bem comum.
A preocupação do Papa também alcançou o avanço das novas tecnologias aplicadas à guerra. Ele alertou para os riscos do uso irresponsável da inteligência artificial, especialmente quando ela enfraquece a responsabilidade moral das decisões humanas ou contribui para ampliar os conflitos.
Ao mencionar situações atuais de violência em diversas regiões do mundo, Leão XIV lamentou aquilo que definiu como uma “espiral de aniquilação”, marcada pela associação entre guerra e tecnologia.
Apesar do tom firme das críticas, o Papa concluiu sua visita dirigindo uma mensagem de esperança aos jovens. Ele os encorajou a escolherem a vida, a justiça e a paz, resistindo às ideologias de violência e indiferença.
A visita também teve um forte significado simbólico. Diferentemente de episódios de tensão ocorridos no passado entre a universidade e o Vaticano, desta vez Leão XIV foi acolhido com entusiasmo pelos estudantes, que lotaram os espaços da instituição e acompanharam o discurso até mesmo por telões instalados do lado de fora.
Em tempos marcados por ansiedade, conflitos e desorientação, a mensagem do Papa recorda que a verdadeira esperança nasce quando o ser humano volta a reconhecer sua dignidade e seu valor diante de Deus. E é justamente essa missão de levar esperança, reflexão e fé que a Rádio Aliança busca viver diariamente como um Farol de Esperança. Conheça o Clube Aliança e faça parte desta missão: https://clube.alianca.fm.br
Com informações de ACI Digital e Vatican News