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Ditadura na Nicarágua sequestra violentamente ao menos nove padres católicos

Desde 26 de julho, padres permanecem sob vigilância constante da polícia nacional

Desde 26 de julho, ao menos nove padres católicos foram sequestrados violentamente pela ditadura do presidente Daniel Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, na Nicarágua. A informação foi divulgada pela advogada e pesquisadora Martha Patricia Molina, que afirmou que esses padres “permanecem sob vigilância total” da Polícia Nacional.

Molina, autora do relatório “Nicarágua: Uma Igreja Perseguida?”, compartilhou no X uma lista de padres “sequestrados pela ditadura sandinista”. Entre eles estão: Monsenhor Ulises Vega Matamoros, Monsenhor Edgar Sacasa Sierra, Padre Víctor Godoy, Padre Jairo Pravia Flores, Padre Marlon Velásquez, Padre Jarvin Torrez e Padre Raúl Villegas, todos da Diocese de Matagalpa; Frei Silvio Romero da Diocese de Juigalpa; e Padre Frutos Constantino Valle Salmerón da Diocese de Estelí.

Em uma declaração à ACI Prensa, a pesquisadora nicaraguense informou que o Padre Salvador López da Diocese de Matagalpa está desaparecido, embora não se saiba ao certo se ele foi sequestrado pelas autoridades ou tentou fugir do país.

A mídia nicaraguense, como o Despacho505, relatou a prisão de outros três padres — Padre Antonio López, Padre Francisco Tercero e Frei Ramón Morras — além do diácono Ervin Aguirre. Segundo Molina, as prisões começaram em 26 de julho, quando Valle, administrador “ad omnia” da Diocese de Estelí, foi “sequestrado, interrogado” e colocado sob vigilância em uma casa de formação da Igreja Católica.

A advogada afirmou que os outros padres foram presos dias depois, sem qualquer acusação formal pelas autoridades, já que “eles não cometeram nenhum crime”. Ela ainda destacou que os padres “foram sequestrados violentamente e retirados de suas residências no meio da noite” e que, em alguns casos, “as propriedades foram invadidas e itens tecnológicos foram roubados”.

Molina acredita que a motivação para essas prisões poderia ser o ódio de Murillo e Ortega por tudo relacionado à religião, especialmente à fé católica, e principalmente com a Diocese de Matagalpa, onde a maioria dos padres sequestrados pertence. Matagalpa é a diocese do bispo Rolando Álvarez, um defensor dos direitos humanos e crítico da ditadura, que foi mantido em prisão domiciliar por meses e, eventualmente, condenado a 26 anos de prisão em um processo judicial controverso. Álvarez foi deportado em janeiro para Roma, onde agora vive no exílio.

A pesquisadora também sugeriu que as prisões poderiam ser uma “vingança” contra Álvarez, que, apesar de ter permanecido em silêncio desde que deixou a prisão, é considerado pelo regime como seu principal inimigo.

Molina ressaltou que todos os padres estão sob prisão de fato, já que “não há uma ordem de um juiz declarando que eles estão em prisão domiciliar. Eles estão todos impossibilitados de sair e de realizar suas atividades diárias, como faziam em suas respectivas paróquias.”

Com informações de CNA