Papa Leão XIV destaca a razão como dom de Deus e convida filósofos cristãos ao diálogo com o mundo moderno
Em mensagem a congresso internacional, pontífice recorda que fé e razão se completam e que o pensamento filosófico é espaço de encontro e evangelização

O Papa Leão XIV dirigiu uma mensagem aos participantes do Congresso Internacional de Filosofia, realizado de 8 a 10 de outubro na Universidade Católica Nossa Senhora da Assunção, no Paraguai, encorajando os pensadores cristãos a valorizarem a razão como dom divino e a promoverem o diálogo entre fé e cultura.
“A racionalidade humana é um dom expressamente desejado pelo Criador”, afirmou o pontífice, ao recordar que fé e razão caminham juntas e encontram seu ponto culminante em Cristo, “que nos revela o Pai”. A mensagem foi lida pelo bispo de Encarnación, Dom Francisco Javier Pistilli Scorzara, grão-chanceler da universidade.
Leão XIV destacou o valor do congresso, que buscou refletir sobre o papel do pensamento cristão na formação cultural da América Latina e sobre como a filosofia pode iluminar, à luz da fé, os desafios contemporâneos. O Papa alertou para a tentação de ver a reflexão racional como ameaça à pureza da fé, lembrando que essa desconfiança já havia sido advertida pelo Papa Pio XII na encíclica Humani generis.
Citando Santo Agostinho, o pontífice lembrou que “quem acredita que a filosofia deve ser evitada simplesmente supõe que não amamos a sabedoria”. Assim, encorajou os cristãos a não se afastarem das escolas filosóficas, mas a dialogar com elas a partir da Sagrada Escritura. Para Leão XIV, o pensamento filosófico é um terreno fértil de encontro com os que não compartilham a fé, pois muitas vezes “a descrença nasce de preconceitos históricos e culturais”.
O Papa recordou que a filosofia, quando separada da fé, pode cair em “abismos sombrios de pessimismo e relativismo”, mas quando iluminada pela graça, revela “a dignidade do homem criado à imagem de Deus e a clara distinção entre o bem e o mal”. Ele também advertiu contra o risco de considerar a razão e a vontade humanas suficientes para atingir a verdade, erro já refutado por Santo Agostinho diante das ideias de Pelágio.
Leão XIV ressaltou o exemplo de grandes mestres cristãos — São Justino, São Boaventura e São Tomás de Aquino — que demonstraram a harmonia entre fé e razão. Citando a encíclica Fides et Ratio, de São João Paulo II, o Papa lembrou que “a íntima ligação entre a sabedoria teológica e o conhecimento filosófico é uma das riquezas mais originais da tradição cristã”.
Ao concluir, o pontífice convidou os pensadores católicos a contribuírem para que a filosofia continue revelando “a fascinante estrutura da realidade que conduz ao Criador e Redentor”, e pediu que sua reflexão ajude bispos, sacerdotes e missionários a transmitirem o Evangelho de modo mais compreensível e relevante ao mundo de hoje.
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Com informações de ACI Digital