Santa Sé declara cisma da Fraternidade São Pio X e confirma excomunhão de seis bispos
Após ordenações episcopais realizadas sem autorização do Papa, Vaticano reafirma que a unidade da Igreja exige comunhão com o Sucessor de Pedro
A Santa Sé confirmou oficialmente a excomunhão dos seis bispos envolvidos nas recentes ordenações episcopais promovidas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) e declarou que o grupo se encontra em situação de cisma.
O decreto, publicado nesta quinta-feira (2) pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, foi divulgado um dia após a realização das ordenações episcopais sem o mandato do Papa Leão XIV. Segundo o documento, os dois bispos que conferiram a ordenação e os quatro novos bispos incorrem em excomunhão latae sententiae, pena prevista pelo direito canônico para esse tipo de ato.
De acordo com a legislação da Igreja, a ordenação de um bispo sem autorização do Romano Pontífice constitui uma grave ruptura da comunhão eclesial. Nesses casos, a excomunhão acontece automaticamente e sua eventual remissão está reservada exclusivamente ao Papa.
Além de confirmar a pena canônica, o Vaticano fez um alerta aos fiéis e ao clero para que não participem do ato cismático nem se unam à Fraternidade São Pio X em sua atual situação, lembrando que a adesão formal ao cisma também possui consequências previstas pelo direito da Igreja.
Em nota explicativa que acompanha o decreto, o Dicastério lamenta que décadas de diálogo entre a Santa Sé e a Fraternidade não tenham produzido o restabelecimento da plena comunhão. Desde o pontificado de São Paulo VI, diferentes iniciativas buscaram aproximar as partes, mas as divergências permaneceram.
O documento recorda ainda que a FSSPX continua rejeitando aspectos importantes do Concílio Vaticano II, especialmente em temas como a liberdade religiosa e o relacionamento da Igreja com outras tradições religiosas.
Outro ponto ressaltado pela Santa Sé diz respeito ao exercício do ministério sacramental. Segundo a nota, os sacerdotes da Fraternidade administram os sacramentos de maneira ilícita e, no caso da Penitência e da assistência aos matrimônios, sem a devida faculdade canônica, o que torna esses atos inválidos segundo a disciplina atualmente vigente.
Antes das ordenações, o Papa Leão XIV havia dirigido um apelo pessoal aos membros da Fraternidade para que suspendessem a cerimônia. Em uma carta marcada pelo tom fraterno, o Pontífice pediu que reconsiderassem a decisão em nome da comunhão da Igreja.
Mesmo diante desse convite, as ordenações foram realizadas, levando à aplicação das sanções previstas pelo direito canônico.
A situação remete ao episódio ocorrido em 1988, quando dom Marcel Lefebvre, fundador da Fraternidade São Pio X, ordenou quatro bispos sem autorização de São João Paulo II. Na ocasião, a Santa Sé também declarou que o ato configurava um cisma e confirmou a excomunhão dos envolvidos.
Ao tornar pública a decisão desta semana, o Vaticano reafirma que a sucessão apostólica está inseparavelmente ligada à comunhão com o Sucessor de Pedro. A unidade da Igreja, ensina a tradição católica, não depende apenas da preservação da doutrina ou da liturgia, mas também da comunhão visível com o Papa e com os bispos em união com ele.
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Com informações de ACI Digital